London Design Festival – Design is here, there and everywhere


Por Juliana Buso

 

O London Design Festival é o que a organização do evento chama de celebração do design internacional, com palestras, seminários, bate-papos, exposições, festas, lançamentos de produtos e curadorias em Museus.

 

O festival aconteceu de 14 a 22 de setembro em vários pontos de Londres e com mais de 300 eventos acontecendo ao mesmo tempo! A ideia deste ano foi mostrar que o design está ao nosso redor e permeia cada parte de nossas vidas e, na minha opinião, eles conseguiram! Todos os eventos de que  participei estavam cheios! Movimentou Londres!

 

A “matriz” do evento foi no Museu Vistoria & Albert, que hoje é considerado o museu número um de arte e design. E como eu pude conferir, tem uma ótima coleção de design mesmo! Vale a pena!

ju1

Foi impossível visitar todos os eventos, mas deu para aproveitar muito! Na edição do ano passado, o festival deu a Londres o seguinte status publicado em um artigo no New York Times: “London is the design capital of the world”. O que podemos ver é que o design é um setor florescente e tem a capacidade de abraçar diversos temas. O festival conseguiu contemplar essa multidisciplinaridade do design, abordando temas como indústria, produto, gráfico, digital, interativo, embalagem, ilustração, novos materiais, engenharia, ciência, tecnologia entre outros! Pretendo destacar aqui somente alguns dos pontos tratados. Um bate-papo que foi relevante e aconteceu durante o evento 100% design, uma feira que mostra o que tem de novo acontecendo, foi o tema: “Ganhar prêmios faz mesmo a diferença?” Entre os participantes, foi unânime a resposta: Sim, prêmios fazem a diferença! Algumas percepções que eu destaquei no bate-papo e achei interessante foram:

“Produzir um bom design não é fácil e os prêmios vem para reconhecer isso, eles reconhecem o bom design”. “Quando ganhamos prêmios o número de acessos ao nosso site é três vezes maior, então a partir dessa estatística, concluímos que temos que participar de premiações”. “Quem era Zaha Hadid antes de ter várias premiações?”. “As empresas hoje não tem mais tanto orçamento para investir em publicidade, então os prêmios passaram a fazer parte dos orçamentos, por proporcionar uma grande visibilidade para empresa, além do retorno de mídia ser muito alto”.

 

Outro tema que ficou bem em evidência foi o uso de novos materiais. E o material destaque foi a cortiça. Ganhou destaque em produtos, pisos e até mesmo na arquitetura. Abaixo, na primeira imagem, um piso que permite a experiência do usuário com o material, desenvolvido em parceria com a empresa portuguesa, Amorim e o escritório FAT Architecture, o piso fica no próprio Museu. E na segunda imagem a empresa também portuguesa, Granorte que produz pisos, papeis de parede, luminárias e acessórios para casa, usando também a cortiça.

ju2

O designer Benjamin Hubert chamou atenção, pela forma como utiliza novos e inovadores materiais. Ele comenta que durante o desenvolvimento, costuma juntar moda e móveis, quando desenvolve móveis considera que eles precisem de belos vestidos.

ju3

Um outro tema que foi bem discutido e levantado foi  o futuro da impressão 3D. O painel discutiu o que as impressoras 3D farão por nós. Vamos ter um impressora 3D em qualquer casa? Enfim, o painel acredita que a impressão 3D terá um grande impacto na medicina, por ser barato e possível de customização. Daqui a 10 anos talvez tenha a mesma repercussão da impressora de papel: Indústrias > gráficas > casas, mas por outro lado entra a consciência ambiental, hoje se tem máquinas de lavar roupas mais tempo ociosas do que trabalhando dentro das casas. Existe também muitas falhas na tecnologia ainda, trata-se de uma tecnologia muito mais profissional do que doméstica. E quando a tecnologia estiver bem aprimorada, oq eu não deve demorar muito, será um tempo brilhante para os designers. Eles vão conseguir prototipar qualquer peça e muito rápido.

ju4

sapatos impressos em 3D

 

 

A exposição Moleskine Sketch Relay foi baseada também no tema  do festival “Design is here, there and everywhere”, foram convidados mais de 70 designers do mundo inteiro e cada um deles recebeu um moleskine em branco e a ideia foi representar nas páginas que objetos, itens, sistemas e detalhes que eles não poderiam viver sem, considerando o espaço privado ou público. E que representassem também o que teria que ser melhorado em suas vidas pessoais e profissionais. A VP de Brand, Maria Sebregondi destacou que “para a Moleskine o design está em tudo, uma ideia deve ser representada em qualquer lugar e em qualquer momento, o importante é o registro dela e não a perda. As páginas em branco dos moleskines proporcionam isso: registrar ideias!”

E ainda o que o festival chamou de design destinations, destaque para o 100% design, que é a maior feira de projetos de design da Inglaterra com mais de 20 mil metros quadrados, o evento lançou mais de 2000 produtos nas áreas de design de interiores, escritório, cozinha e banheiro, eco design e construções.

 

E ainda como parte do design destinations, destaque também para a Designjuction, que é um design show, são três andares de uma seleta escolha de grandes e consagradas marcas e de marcas emergentes. Os estandes e o ambiente são surpreendentes, fascinantes e mostram marcas emergentes que têm no design seu principal atributo.

Em resumo, o London Design Festival foi um marco no design mundial, que teve uma grande abrangência e mostrou o design de várias formas, do comercial ao conceitual, do simples ao espetacular, do preto e branco ao colorido, enfim, mostrou que o design é a ferramenta que destaca qualquer projeto e hoje se faz essencial em todos os setores.